CASTANHAS-DO-BRASIL PRODUZIDAS EX-SITU: CARACTERIZAÇÃO FÍSICA, SENSORIAL E ESTABILIDADE DURANTE O ARMAZENAMENTO
Bertholletia excelsa; produção ex situ; qualidade de amêndoas.
A castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa) é amplamente reconhecida pelo elevado valor comercial de suas amêndoas, em função da alta concentração de ácidos graxos insaturados e minerais. Espécie típica de climas quentes e úmidos da região Norte do Brasil, apresenta reconhecida importância econômica e social para a Amazônia. Apesar disso, ainda são escassos os estudos sobre seu cultivo fora da área de ocorrência natural. A recente frutificação observada em plantio experimental em Lavras, MG, evidencia o potencial de expansão da cultura para outras regiões do país. Embora a literatura apresente diversos estudos sobre a composição nutricional e o valor funcional das castanhas-do-Brasil, ainda são limitadas as pesquisas que avaliam, de forma integrada, as características físicas das amêndoas, bem como seus atributos sensoriais e sua estabilidade durante o armazenamento, especialmente em sistemas de produção ex situ. Diante disso, este estudo teve como objetivo avaliar as propriedades físicas, químicas, nutricionais, sensoriais e a estabilidade lipídica de castanhas produzidas em Minas Gerais, comparando-as com amostras provenientes de sete origens naturais da região Norte. Para as características físicas, as castanhas da região Norte apresentaram maior tamanho e coloração mais escura, tanto com casca quanto na forma de amêndoas, enquanto as amostras produzidas na UFLA foram caracterizadas por coloração mais clara, menor tamanho e maior variação de formato, resultando em amêndoas mais arredondadas. Sensorialmente, as amostras de MG apresentaram descritores diferenciados de aroma e sabor, como coco, cacau e manteiga, e demonstraram comportamento semelhante às castanhas do Norte durante o armazenamento, com diferenças sutis na estabilidade sensorial associada à oxidação lipídica. Conclui-se que as castanhas produzidas em Minas Gerais se inserem na variabilidade natural observada para a espécie, apresentando características químicas, nutricionais, sensoriais e de estabilidade oxidativa comparáveis às de diferentes regiões de ocorrência natural. Esses resultados reforçam o potencial da produção ex situ, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a espécie e para a elaboração de estratégias voltadas à diversificação produtiva e à sustentabilidade da cadeia da castanha-do-Brasil.