CARACTERIZAÇÃO DO PUÇÁ AMARELO (Mouriri grandiflora) E IMPACTOS DA DIGESTÃO GASTROINTESTINAL SIMULADA IN VITRO NAS PROPRIEDADES QUÍMICAS, BIOLÓGICAS E ANTIOXIDANTES DOS POLIFENÓIS
Frutos nativos; Biodiversidade brasileira; Polifenóis; Protocolo INFOGEST
O puçá-amarelo (Mouriri grandiflora), fruto nativo dos biomas Amazônia e Cerrado, permanece subexplorado sob a perspectiva química, funcional e tecnológica, apesar de seu uso tradicional por comunidades locais. Diante da crescente demanda por alimentos ricos em compostos bioativos e do interesse científico na bioacessibilidade de polifenóis, esta tese teve como objetivo realizar a caracterização sistêmica da polpa, cascas e sementes do puçá-amarelo, bem como avaliar os impactos da digestão gastrointestinal simulada in vitro nas propriedades químicas, biológicas e antioxidantes de seus compostos fenólicos. A caracterização nutricional evidenciou que as diferentes frações do fruto apresentam perfis composicionais distintos, com variações relevantes na distribuição de macronutrientes, ácidos orgânicos, ácidos graxos e triglicerídeos. As análises fitoquímicas demonstraram que, embora a polpa represente a fração comestível tradicional, as cascas e sementes concentraram teores expressivos de compostos fenólicos totais e apresentaram elevada atividade antioxidante, destacando-se como matrizes promissoras para aproveitamento tecnológico. A identificação de fenólicos individuais por cromatografia líquida revelou um perfil diversificado de metabólitos, reforçando o potencial funcional do fruto. A aplicação do protocolo INFOGEST de digestão gastrointestinal simulada in vitro permitiu avaliar, de maneira mais realista, o comportamento dos polifenóis ao longo das fases oral, gástrica e intestinal. Os resultados indicaram que o processo digestivo promoveu alterações significativas no perfil fenólico, com redução de determinados compostos sensíveis às condições ácido-enzimáticas e, simultaneamente, aumento da fração bioacessível de outros metabólitos decorrente da liberação da matriz alimentar. Observou-se que a atividade antioxidante foi modulada ao longo das etapas digestivas, evidenciando que a bioacessibilidade não depende exclusivamente da concentração inicial de compostos, mas das transformações estruturais ocorridas durante a digestão. De forma integrada, os achados desta tese demonstram que o puçá-amarelo constitui uma matriz alimentar de elevado potencial funcional, especialmente quando considerado o aproveitamento integral de suas frações. A valorização de cascas e sementes como fontes de compostos bioativos reforça a aplicabilidade do fruto no desenvolvimento de ingredientes naturais e alimentos com propriedades antioxidantes, além de contribuir para estratégias alinhadas à economia circular. Assim, esta pesquisa preenche lacunas relevantes na literatura ao fornecer dados inéditos sobre composição, perfil fenólico e bioacessibilidade do puçá-amarelo, ampliando o entendimento sobre a interação entre matriz vegetal e digestão gastrointestinal. Os resultados consolidam o fruto como promissora fonte de compostos bioativos e fortalecem a integração entre biodiversidade brasileira, ciência dos alimentos e inovação sustentável.