ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO CERRADO:
PRÁTICAS ADOTADAS E POLÍTICAS PÚBLICAS ASSOCIADAS
agricultura familiar; adaptação climática; Cerrado; políticas públicas; desenvolvimento territorial.
A agricultura familiar no Cerrado brasileiro enfrenta impactos crescentes das mudanças climáticas, como a intensificação da irregularidade hídrica, a degradação dos solos e a perda de agrobiodiversidade, que afetam a produção agrícola, a segurança alimentar e os modos de vida rurais. Em resposta a esses desafios, agricultores familiares vêm adotando diferentes estratégias de adaptação baseadas em conhecimentos locais, práticas agroecológicas e arranjos socioterritoriais, frequentemente articuladas a redes comunitárias e instituições de apoio. No entanto, tais estratégias permanecem pouco sistematizadas na literatura e nem sempre encontram respaldo adequado nas políticas públicas existentes. Diante desse contexto, esta dissertação tem como objetivo mapear e analisar as estratégias de adaptação climática adotadas pela agricultura familiar no Cerrado, bem como examinar sua relação com os principais instrumentos federais de política pública voltados ao setor. Metodologicamente, o estudo fundamenta-se em uma revisão sistemática adaptada, inspirada no protocolo PRISMA, que integra literatura acadêmica e literatura cinzenta qualificada, complementada por uma análise qualitativa de políticas públicas. O corpus analisado é composto por 16 documentos selecionados a partir de critérios de relevância empírica, territorial e metodológica. Os resultados indicam que a adaptação climática no Cerrado se organiza predominantemente como um processo sociotécnico e territorial, estruturado em torno da gestão da água, da agrobiodiversidade, do solo e dos bens comuns, mediado por práticas coletivas e instituições locais. A análise das políticas públicas revela que instrumentos como o Plano ABC+, a PNATER, a PNAPO e o Pronaf apresentam elementos potencialmente complementares, porém operam de forma fragmentada, o que limita sua capacidade de fortalecer e escalar as estratégias já existentes nos territórios. Conclui-se que o
fortalecimento da adaptação climática da agricultura familiar no Cerrado depende menos da introdução de novas tecnologias e mais do reconhecimento, da articulação e da territorialização de políticas públicas alinhadas às práticas locais.