PERCEPÇÃO DE SUSTENTABILIDADE POR AGRICULTORES FAMILIARES PRODUTORES DE LEITE NO MUNICÍPIO DE OLIVEIRA - MG
sustentabilidade rural; agricultura familiar; pecuária leiteira; percepção social.
Esta pesquisa analisa como agricultores familiares produtores de leite em Oliveira, Minas Gerais, percebem e vivenciam a sustentabilidade em suas práticas produtivas, compreendendo-a como construção social situada, historicamente condicionada e não como conceito técnico normativo previamente definido. A partir de abordagem qualitativa, com aplicação de questionários semiestruturados e análise temática das narrativas, os resultados indicam que a sustentabilidade é entendida como prática cotidiana vinculada à permanência da família no campo, à estabilidade da renda e à continuidade intergeracional da atividade leiteira. A dimensão econômica mostrou-se central nessa percepção, marcada pela instabilidade dos preços, pelas assimetrias na relação com laticínios e pelo aumento dos custos produtivos, fatores que restringem o planejamento e os investimentos de longo prazo. Nesse contexto, ser sustentável significa manter a atividade economicamente viável, evitar endividamento excessivo e garantir condições mínimas para a reprodução social da família no território. Na esfera ambiental, observam-se práticas como proteção de nascentes, manejo de pastagens e uso racional de insumos, fundamentadas tanto em orientações técnicas quanto em saberes construídos na experiência, embora sua ampliação esteja condicionada às possibilidades econômicas concretas. A assistência técnica e o crédito rural são considerados instrumentos relevantes para a manutenção da atividade, mas podem ampliar riscos quando orientados predominantemente à intensificação produtiva em cenário de mercado instável. Conclui-se que a sustentabilidade na pecuária leiteira familiar é percebida como um processo relacional e adaptativo, que busca equilibrar viabilidade econômica, cuidado ambiental e continuidade familiar. Evidencia-se, portanto, a urgência de políticas públicas que reduzam as assimetrias na cadeia produtiva do leite e fortaleçam a autonomia dos agricultores, valorizando a concepção de sustentabilidade construída pelos próprios produtores de leite.