DA A ROÇA AO BENEFICIAMENTO:A INSERÇÃO DAS MULHERES NAS AGROINDÚSTRIAS RURAIS COMUNITÁRIAS COMO ESTRATÉGIA PARA COMBATE A DESIGUALDADE DE GÊNERO E PERMANÊNCIA DA AGRICULTURA FAMILIAR
agroindústria rural comunitária; desigualdade de gênero; agricultura familiar; diagnóstico rural participativo; permanência no campo; desenvolvimento sustentável
As agroindústrias rurais comunitárias desempenham papel relevante na agricultura familiar ao promoverem geração de renda, permanência no campo e sustentabilidade. Este projeto tecnico realizou diagnóstico participativo em umaagroindústria rural comunitária de beneficiamento da cana-de-açúcar no Assentamento Santo Antônio da Fartura, em Campo Verde (MT), considerando sua trajetória histórica, organização social e contribuição para as famílias envolvidas. Adotou-se abordagem qualitativa, de caráter exploratório e transversal, com utilização do Diagnóstico Rural Participativo, por meio das ferramentas linha do tempo, análise FOFA, matriz GUT e visita guiada. Os resultados indicam que a agroindústria constitui um espaço coletivo de produção e convivência, marcado pela participação ativa das famílias e pela realização compartilhada das atividades, sem divisão rígida de trabalho entre homens e mulheres. Destaca-se a atuação feminina, associada à ampliação da renda, fortalecimento da autonomia e melhoria do bem-estar no meio rural. A agregação de valor à produção e a diversificação produtiva contribuem para a sustentabilidade econômica das famílias. A trajetória da agroindústria evidencia a valorização de saberes tradicionais e a importância da organização coletiva, bem como o papel das políticas públicas de apoio à agricultura familiar, apesar de períodos de instabilidade institucional. Entre as principais limitações, destacam-se a escassez de água, precariedade da infraestrutura, ausência de transporte, insuficiência de espaço para processamento e armazenamento, além da sazonalidade produtiva e da baixa participação de jovens. Conclui-se que a agroindústria rural comunitária ultrapassa a dimensão econômica, configurando-se como espaço de resistência social, reprodução do modo de vida campesino e valorização ambiental, ao possibilitar o aumento da renda sem expansão das áreas produtivas. Entretanto, sua continuidade depende do fortalecimento de políticas públicas e de investimentos estruturais.