SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DOS AGRICULTORES FAMILIARES E SEUS CONDICIONANTES NO ASSENTAMENTO CAMPO VERDE, TERENOS (MS)
Consumo alimentar; Assentamento rural; Saúde; Soberania alimentar.
Esse estudo teve como objetivo analisar a segurança alimentar e nutricional dos agricultores familiares do assentamento Campo Verde, Terenos (MS). Trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa, com pesquisa de campo. Foram realizadas visitas, com aplicação de um questionário semiestruturado, contendo questões sobre o perfil socioeconômico, produtivo e alimentar. A pesquisa contou com 31 participantes, majoritariamente mulheres, casadas e com idade superior a 41 anos. A maioria das famílias reside no local há mais de 10 anos, com núcleos familiares de até quatro pessoas. As condições de moradia foram avaliadas como boas ou ótimas pela maior parte dos entrevistados, com acesso à energia elétrica, água de poço e bens básicos. No entanto, persistem limitações no saneamento, como o uso predominante de fossas negras e a queima de lixo inorgânico. O acesso à saúde existe, mas é dificultado pela distância e pela desativação temporária da unidade local, obrigando deslocamentos para outros assentamentos ou cidades. No aspecto alimentar, observou-se um padrão relativamente saudável, baseado em alimentos in natura, com baixo consumo de ultraprocessados. Apesar disso, há forte dependência da compra de alimentos na cidade, especialmente grãos, indicando baixa utilização da terra para produção de autoconsumo. A produção agrícola é limitada, com predominância da pecuária e uso da terra principalmente para pastagem. Existe baixa diversificação produtiva, pouco beneficiamento de produtos e reduzida participação em programas institucionais como PNAE e PAA. Embora os lotes tenham tamanho adequado para a agricultura familiar, fatores como escassez de água, falta de assistência técnica e limitações estruturais dificultam a produção. Em relação à segurança alimentar, a maioria das famílias apresenta segurança, com poucos casos de insegurança leve ou moderada, geralmente associados à divisão de renda entre múltiplas famílias no mesmo lote. No campo da agroecologia, muitos participantes não conhecem formalmente o conceito, mas adotam práticas compatíveis, como uso de esterco para adubação, controle natural de pragas e ausência de agrotóxicos. O estudo evidencia que, apesar de condições básicas de vida relativamente adequadas, o assentamento enfrenta desafios estruturais que limitam a produção agrícola, a autonomia alimentar e a permanência das novas gerações no campo. Isso reforça a necessidade de políticas públicas com foco em assistência técnica, incentivo à produção diversificada, fortalecimento de cooperativas e ampliação do acesso a programas governamentais, visando promover a soberania e a segurança alimentar das famílias assentadas.