DIAGNÓSTICO JUNTO À AGRICULTURA FAMILIAR DE UM ASSENTAMENTO SOBRE O USO DE SISTEMAS DE PRODUÇÃO SUSTENTÁVEIS NO MANEJO DE PASTAGENS NA BOVINOCULTURA DE LEITE E CORTE
sistemas agroflorestais; integração lavoura-pecuária-floresta; gases de efeito estufa; manejo de pastagens; agricultura familiar
O Brasil destaca-se mundialmente na produção e exportação de carne bovina e leite, desempenhando papel relevante no saldo positivo da balança comercial. Entretanto, a pecuária nacional é majoritariamente baseada em pastagens, das quais grande parte apresenta algum grau de degradação, especialmente no bioma Cerrado. Nesse contexto, práticas adequadas de manejo e a adoção de sistemas produtivos sustentáveis, como a recuperação de pastagens, o pastejo rotacionado, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e os sistemas agroflorestais (SAFs), têm se mostrado alternativas eficazes para elevar a produtividade, recuperar áreas degradadas e mitigar emissões de gases de efeito estufa, além de contribuir para o sequestro de carbono no solo. Ademais, políticas públicas como o Plano ABC+ e iniciativas como o Programa Rural Sustentável (PRS Cerrado) têm incentivado a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono na agropecuária. O presente trabalho tem como foco o Assentamento PA Nova Santa Inês, localizado no município de Santa Vitória, no Triângulo Mineiro, inserido no bioma Cerrado e participante da área de abrangência do PRS Cerrado. O assentamento é composto por 38 famílias, cuja principal atividade econômica é a bovinocultura de leite e corte. O estudo tem como objetivo realizar um diagnóstico participativo, por meio do levantamento de informações, planejamento e execução de intervenções junto a produtoras e produtores do assentamento, acerca do uso de sistemas produtivos sustentáveis no manejo de pastagens em atividades de bovinocultura de leite e/ou corte. A metodologia adotada baseou-se no Diagnóstico Rural Participativo (DRP), envolvendo análise documental, caminhadas transversais em dez unidades produtivas e a realização de oficina participativa para construção da matriz FOFA, precedida por roda de conversa sobre sistemas sustentáveis de manejo de pastagens. Os resultados evidenciaram a predominância de sistemas convencionais de manejo, com baixo nível de intensificação, limitada adoção de práticas de correção e adubação do solo e reduzida diversificação de espécies forrageiras, com destaque para gramíneas do gênero Brachiaria. Verificou-se também baixo nível de conhecimento técnico sobre sistemas sustentáveis e inexistência ou adoção incipiente de sistemas integrados, como ILP e ILPF, associadas à restrição de recursos financeiros, à insuficiência de assistência técnica e ao acesso limitado a informações qualificadas. A análise da matriz FOFA indicou a existência de oportunidades relacionadas ao apoio institucional e às políticas públicas, bem como fraquezas internas e ameaças externas que dificultam a transição produtiva. Conclui-se que a adoção de sistemas mais sustentáveis depende do fortalecimento da assistência técnica, da ampliação do acesso ao crédito, da organização social e da implementação de estratégias adaptadas à realidade local, contribuindo para a recuperação de pastagens, o aumento da produtividade e a redução dos impactos ambientais, em consonância com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 (ODS 12) — Consumo e Produção Responsáveis.