INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, COMPORTAMENTO ALIMENTAR E IMAGEM CORPORAL: UMA ANÁLISE EM ATLETAS DE GINÁSTICA RÍTMICA
Ginástica; estética; inteligência emocional; autoimagem; comportamento alimentar.
A ginástica rítmica é um esporte olímpico que, ao exigir alta performance física e estética, impõe uma intensa pressão sobre a saúde mental de suas atletas, podendo levar a comportamentos de risco. Neste contexto, a inteligência emocional emerge como um fator crucial para a saúde. Este estudo teve como objetivo investigar a influência da inteligência emocional no comportamento alimentar e na imagem corporal de atletas de ginástica rítmica. A pesquisa possui delineamento transversal, descritivo e de caráter quali-quantitativo. A amostra foi composta por 42 atletas da região Nordeste do Brasil (idade média = 19,28 ± 2,25 anos), que responderam aos questionários Schutte Self-Report Emotional Intelligence Test (SSEIT), Three-Factor Eating Questionnaire (TFEQ-R21) e Body Shape Questionnaire (BSQ-34). Cinco atletas responderam entrevistas semiestruturadas, analisadas pela técnica de Análise de Conteúdo de Bardin. A estatística foi feita no software Jamovi, e utilizou de análises descritivas e de correlação. Os resultados quantitativos revelaram uma forte correlação entre as variáveis: a preocupação com a imagem corporal (BSQ-34) correlacionou-se positivamente com o descontrole alimentar (rho=0,332), restrição cognitiva (rho=0,594) e alimentação emocional (rho=0,359). A inteligência emocional não apresentou correlação significativa com as demais variáveis. A análise qualitativa aprofundou esses achados, revelando que a pressão por um padrão corporal ideal (magro e longilíneo) é internalizada e gera comparação social, insatisfação e distorção da imagem. A pressão externa, exercida por técnicos e árbitros, manifesta-se através de body shaming e rituais como pesagens, que desencadeiam comportamentos de risco. O estado emocional mostrou influenciar diretamente o comportamento alimentar, com a ansiedade atuando tanto como gatilho para o consumo excessivo quanto para a supressão do apetite. Conclui-se que, embora a inteligência emocional não tenha se correlacionado estatisticamente nesta amostra, as narrativas qualitativas sugerem que a dificuldade na regulação emocional é um fator central que, mediado pela intensa pressão do esporte, contribui para o desenvolvimento de comportamentos alimentares de risco e insatisfação corporal.