AUTOCOMPAIXÃO E RISCO PARA TRANSTORNOS ALIMENTARES: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE ESTUDANTES E PROFISSIONAIS DE NUTRIÇÃO
Nutricionistas, saúde mental, comportamento alimentar, estresse, ansiedade e depressão.
Introdução: O comportamento alimentar compreende ações múltiplas e complexas, uma vez que o ato de comer envolve condições para além das necessidades físicas, estando relacionado também a questões afetivas, cognitivas e sociais. Nesse contexto abrangente do comportamento alimentar e suas modificações na atualidade, os estudantes e profissionais da nutrição apresentam-se como grupos propensos a desenvolverem o risco ou o transtorno alimentar considerando a pressão social, estresse, ansiedade e depressão. Diante disso a autocompaixão parece apresentar desfechos positivos na saúde mental e como fator protetor de comportamentos alimentares transtornados.Objetivo: Comparar o risco para transtornos alimentares entre estudantes e profissionais da nutrição e avaliar seus determinantes relacionados a estado antropométrico, saúde mental e autocompaixão. Metodologia: Pesquisa transversal, com coleta de dados entre março e junho de 2024, por meio de um questionário on-line autopreenchido contendo dados sociodemográficos, Teste de Atitudes Alimentares “Eating Attitudes Test” (EAT-26), Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21) e Escala de Autocompaixão (SCS). Resultados: Participaram da pesquisa 419 mulheres, sendo 253 estudantes de nutrição e 166 profissionais de nutrição. Observa-se maior prevalência de eutrofia entre estudantes (66,8%) do que entre profissionais (56,0%). há uma maior prevalência de sobrepeso e obesidade entre os profissionais de nutrição comparado aos estudantes, enquanto que este último apresenta um maior percentual de baixo peso. Os valores de EAT-26 médios total sugerem, que estudantes e profissionais da nutrição têm baixo risco de desenvolverem transtornos alimentares (EAT-26 total < 20). No entanto, aproximadamente um terço da amostra (36,3%) apresentou risco elevado para estes transtornos. Observou-se ainda que os estudantes apresentam um valor de EAT-26 total significativamente maior (19,07 ± 10,20) do que nos profissionais de nutrição (16,33 ± 9,75). Para ambos os grupos, observa-se que o aumento do IMC está significativamente associado ao maior desenvolvimento de risco para transtorno alimentar (EAT-26 >20). Entre estudantes de nutrição, um maior risco alimentar também está associado ao aumento da ansiedade (OR = 1,15; p = 0,02). Entre nutricionistas, níveis mais elevados de isolamento (OR = 0,37; p = <0,01) e maior auto bondade (OR = 0,31; p = 0,01) estão associados a um menor risco de transtornos alimentares. Curiosamente, uma maior pontuação na subescala de humanidade compartilhada mostrou associação com maior risco (OR = 2,01; p = 0,05). Conclusão: O risco para transtornos alimentares (EAT-26) em estudantes e profissionais da nutrição são baixos, no entanto um terço da amostra apresenta um risco elevado. Existe uma associação positiva entre o aumento do IMC e o risco de transtornos alimentares entre os grupos e o aumento da ansiedade para estudantes como fator significativo para o desenvolvimento deste risco enquanto, a auto bondade e o isolamento social atuaram como fatores protetores para o desenvolvimento de comportamento alimentar e a subescala da humanidade compartilhada indicou maior risco para transtornos alimentares em profissionais de nutrição. Estando a autocompaixão como uma estratégia preventiva para aspectos psicológicos e comportamentais para a formação profissional, saúde mental e qualidade de vida.