INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, COMPORTAMENTO ALIMENTAR E IMAGEM CORPORAL: UMA ANÁLISE EM ATLETAS DE GINÁSTICA RÍTMICA
Ginástica; estética; inteligência emocional; autoimagem; comportamento alimentar.
A Ginástica Rítmica é um esporte olímpico que, ao exigir alta performance física e estética, impõe uma intensa pressão sobre a saúde mental de suas atletas, podendo levar a comportamentos de risco. Neste contexto, a inteligência emocional emerge como um fator importante para a saúde. Este estudo teve como objetivo investigar a influência da inteligência emocional no comportamento alimentar e na imagem corporal de atletas de ginástica rítmica. A pesquisa possui delineamento transversal, descritivo e de caráter quali-quantitativo. A amostra foi composta por 37 atletas de estados da região Nordeste do Brasil (idade média = 19,9 ± 1,83 anos), que responderam aos questionários Schutte Self-Report Emotional Intelligence Test (SSEIT), Three-Factor Eating Questionnaire (TFEQ-R21) e Body Shape Questionnaire (BSQ-34). Cinco atletas responderam entrevistas semiestruturadas, analisadas pela técnica de Análise de Conteúdo de Bardin. A estatística foi realizada no software Jamovi, e utilizou de análises descritivas para a caracterização da amostra. Nos descritores, aproximadamente um terço da amostra apresentou algum grau de insatisfação corporal (32,4%), enquanto 67,6% não relataram insatisfação. As medianas (IQR) dos domínios do TFEQ-R21 foram: Restrição Cognitiva 44,4 (33.3 – 55.5); Descontrole Alimentar 33,3 (18.5 – 48.1); Alimentação Emocional 27,8 (16.7 – 55.5). O SSEIT apresentou mediana 101 (95.0 – 106). Adicionalmente, na caracterização, 75,7% relataram já ter sofrido comentários negativos sobre a aparência e 81,1% perceberam pressão estética no contexto da modalidade. A análise qualitativa aprofundou esses achados, revelando que a pressão por um padrão corporal ideal (magro e longilíneo) é internalizada e gera comparação social, insatisfação e distorção da imagem. A pressão externa, exercida por técnicos e árbitros, manifesta-se através de body shaming e rituais como pesagens, que desencadeiam comportamentos de risco. O estado emocional mostrou influenciar diretamente o comportamento alimentar, com a ansiedade atuando tanto como gatilho para o consumo excessivo quanto para a supressão do apetite. As narrativas qualitativas sugerem que a dificuldade na regulação emocional é um fator central que, mediado pela intensa pressão do esporte, contribui para o desenvolvimento de comportamentos alimentares de risco e insatisfação corporal.