GASTO ENERGÉTICO DE REPOUSO EM MULHERES NO MÉDIO E LONGO PRAZO APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA: ASSOCIAÇÃO COM COMPOSIÇÃO CORPORAL, FORÇA MUSCULAR E OBESIDADE SARCOPÊNICA
Calorimetria indireta; Cirurgia bariátrica; Composição corporal; Força muscular.
A cirurgia bariátrica e metabólica (CBM) promove perda de peso induzida, podendo impactar a composição corporal, a força muscular, o gasto energético de repouso (GER) e a prevalência de obesidade sarcopênica (OS). Entretanto, esses aspectos podem variar conforme o tempo de pós-operatório, sendo ainda pouco explorados em médio e longo prazo. O objetivo foi avaliar o GER e sua associação com a composição corporal, a força muscular e a OS em mulheres no médio e longo prazo após a CBM. Estudo transversal com mulheres a partir de um ano de pós-operatório. A composição corporal [massa gorda (MG) e massa livre de gordura (MLG)] foi estimada por bioimpedância elétrica, sendo também preditas a massa muscular esquelética (MME) e o índice de MME (IMME). A força muscular foi avaliada pela força de preensão manual ou teste de sentar-se e levantar-se da cadeira. A sarcopenia foi definida pela presença de baixa força muscular associada à baixa quantidade muscular, e a OS pela presença desses critérios concomitante ao elevado percentual de gordura corporal. O GER foi avaliado por calorimetria indireta e a termogênese adaptativa e GER predito (GERp) foram calculados. Dados bioquímicos e comorbidades foram obtidos de prontuários. A ingestão alimentar foi avaliada por recordatório de 24 horas e a atividade física por registros clínicos. Foram analisadas 63 mulheres (53,1±9,5 anos), com tempo pós-operatório mediano de 91 (60–153) meses. Na análise por tempo de pós-operatório, ao comparar mulheres de 1 a <5 anos vs ≥5 anos de pós-operatório, mulheres com ≥5 anos apresentaram maiores valores de peso, IMC e MG (kg e %), e menores percentuais de MLG e IMME, além de menor responsividade à CBM e menor perda de peso total (PPT) (%). Adicionalmente, apresentaram menor GER/MG, maior GERp, menor prática de atividade física e maior ingestão energética (p<0,05), sem diferenças quanto às comorbidades. O GER associou-se a diferentes variáveis conforme o tempo de pós-operatório, incluindo parâmetros lipídicos, composição corporal e consumo proteico, mesmo após ajustes.A prevalência de OS foi de 57,1% (n=36). Mulheres com OS apresentaram maiores valores de GER/MME e GER/IMME, permanecendo associados em modelos ajustados por idade e tempo de pós-operatório. Não houve diferenças quanto às comorbidades, prática de atividade física e ingestão alimentar entre mulheres com e sem OS. Conclui-se que em mulheres com maior tempo de pós-operatório está associado a piores desfechos de composição corporal, comportamento e parâmetros relacionados ao GER, e que a presença de OS relaciona-se a alterações no GER ajustado pela massa muscular, destacando a importância do monitoramento desses parâmetros em longo prazo após a CBM.