ÂNGULO DE FASE ASSOCIADO AO MELD-NA PARA PREDIÇÃO DE MORTALIDADE EM PACIENTES COM CIRROSE DESCOMPENSADA
cirrose hepática, sarcopenia, desnutrição, bioimpedância, mortalidade.
O MELD-Na é utilizado para avaliar a gravidade da cirrose e priorizar a alocação para transplante hepático. A inclusão de um parâmetro nutricional ao MELD-Na poderia melhorar seu poder preditivo. O ângulo de fase (AF) é um possível marcador do estado nutricional, da massa muscular e de desfechos clínicos negativos. Objetivo: Avaliar o impacto prognóstico da associação entre MELD-Na e AF na predição de óbito em pacientes com cirrose descompensada. Metodologia: Trata-se de estudo observacional retrospectivo com uso do banco de dados de quatro centros de referência brasileiros. Foram incluídos adultos e idosos com diagnóstico de cirrose descompensada, hospitalizados/acompanhamento ambulatorial, com dados de MELD-Na e bioimpedância (BIA) para obtenção do AF no banco. A ocorrência de óbito foi considerada em até um ano após a avaliação por BIA. Os valores de AF foram classificados em cinco pontos de corte descritos na literatura. Foram propostos seis índices prognósticos utilizando o MELD-Na e o AF (sendo 01 contínuo e 05 dicotômicos). Foi realizada a análise de sobrevida e calculada a probabilidade para predição de óbito do MELD-Na e dos índices propostos por regressão logística. s probabilidades foram comparadas por meio da área sob a curva ROC para amostra total e estratificada por variáveis clínicas e nutricionais. Resultados: Foram avaliados 452 pacientes, 54,5 (49,0-62,0) anos, 73,0% do sexo masculino, 43,6% com cirrose etanólica e 71,9% Child B. A mediana do MELD-Na foi de 17,0 (14,0-20,0) e a média de AF foi de 5,2º±1,1 para homens e 4,9º (4,3-5,6) para mulheres. A incidência de óbito em um ano foi 21,7%. Na análise de sobrevida, pacientes que possuíam o valor de AF reduzido por todas as classificações apresentaram maior risco de óbito (p<0,001). Os modelos MELD‑Na-AF contínuo/dicotômicos apresentaram associação significativa com o risco de óbito (p<0,001), após ajuste por sexo e idade. A comparação das áreas sob a curva entre o MELD-Na e o MELD-Na-AF utilizando o AF com o ponto de corte ≤5,05º, mostrou melhora na predição de óbito na amostra total (AUC = 0,624 vs. 0,678; p<0,05). Na subanálise dos pacientes com MELD-Na≥15, três modelos com AF categóricos (AF≤p5; AF≤4,9º e AF≤5,05º) melhoraram a predição de óbito (AUC=0,539; 0,595; 0,616; respectivamente) em comparação ao MELD-Na (AUC=0,531). Nos pacientes com MELD-Na<15, as fórmulas de MELD-Na associadas aos AFs contínuo e categóricos (AF ≤5,6º H/ ≤5,4°M; ≤5,05º e ≤5,52º) melhoraram a predição de óbito (AUC=0,671; 0,668; 0,638; 0,648, respectivamente) comparadas ao MELD-Na (AUC=0,528). Entre os pacientes com edema, os MELD-Na-AF contínuo e categóricos (AF ≤5,6º H/ ≤5,4°M; AF ≤ 4,9º; AF ≤ 5,05º e AF ≤ 5,5º) melhoraram a predição de óbito (AUC=0,642; 0,630; 0,667; 0,643; respectivamente) em relação ao MELD-Na (AUC=0,566). Nos pacientes sem carcinoma hepatocelular (AUC=0,671 vs. 0,728; p=0,028) e desnutridos (AUC=0,484 vs. 0,567; p=0,018), apenas a fórmula com ponto decorte AF<5,05º apresentou melhor desempenho. Conclusão: A associação do AF ao MELD-Na melhorou a predição de óbito, tanto na população total quanto em subgrupos de pacientes com MELD-Na≥15, MELD-Na<15, presença de edema, ausência de carcinoma hepatocelular e com desnutrição, sendo o modelo com pontuação extra ao MELD-Na na presença do AF<5,05º o único significativo em todas essas situações.