ASSOCIAÇÃO ENTRE INSEGURANÇA ALIMENTAR, INDICADORES ANTROPOMÉTRICOS E QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE EM ADULTOS ATENDIDOS NAS ESTRATÉGIAS DE SAÚDE DA FAMÍLIA EM LAVRAS - MG
Segurança alimentar e nutricional; atenção primária à saúde; estado nutricional; determinantes sociais da saúde.
A Insegurança Alimentar (IA) é um problema de saúde pública. Dados de 2025, publicados pelo relatório The State of Food Security and Nutrition in the World, mostraram que 2,3 bilhões de pessoas no mundo ainda convivem com a insegurança alimentar. O que, por vezes, favorece padrões alimentares inadequados e aumenta o risco de desenvolvimento de doenças crônicas, como a obesidade. O objetivo desta pesquisa é avaliar a associação entre a IA, indicadores antropométricos e percepção da qualidade de vida relacionada à saúde em adultos atendidos das Unidades da Estratégia de Saúde da Família (ESF) de Lavras - MG. Trata-se de um estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa com Seres Humanos da UFLA (CoEP), com número do parecer 7.259.340, realizado com indivíduos entre 18 e 59 anos, que buscaram atendimento nas ESF do município. A coleta de dados foi dividida em duas fases. Na primeira, foi avaliado o risco de IA por meio do instrumento de Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA), aplicada anamnese com dados socioeconômicos, histórico familiar, medicamentoso, e aferidas medidas antropométricas (peso, altura, circunferência da cintura e do pescoço), além da aplicação do questionário de percepção qualidade de vida relacionada à saúde (SF-36). Na segunda fase foi aplicado a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) para avaliação dos graus de IA, caso tenha sido identificado o domicílio com “risco de IA” pela TRIA. A análise dos dados foi realizada no software JAMOVI, versão 2.4.8. utilizando estatística descritiva, teste de Shapiro-Wilk para avaliação de normalidade e teste do qui-quadrado de Pearson para análise de associações, considerando nível de significância de 5%. Os resultados parciais evidenciaram predominância de indivíduos do sexo feminino (76,2%), pretos e pardos (62,5%), solteiros (47,4%), com excesso de peso, estando 34,6% da amostra em sobrepeso e 34,2% em obesidade, com nível de escolaridade correspondente ao ensino médio completo (48,7%) e renda mensal familiar igual ou superior a 2 salários mínimos. Observou-se risco de IA moderada ou grave em 18,8% da amostra, com associação significativa entre a IA e variáveis socioeconômicas, escolaridade, percepção de saúde, índice de massa corporal e participação no Programa Bolsa Família. Os dados parciais evidenciam risco de IA em parcela considerável da população em estudo. Os resultados demonstram que a IA está associada a fatores sociodemográficos e de saúde, evidenciando seu caráter multidimensional e reforçando a necessidade de sua incorporação às ações de vigilância e cuidado desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde