MICROPARTÍCULAS DE MUCILAGEM DE SEMENTES DE MUTAMBA (Guazuma ulmifolia Lam.) E QUITOSANA PARA A ENCAPSULAÇÃO DE ACETATO DE RETINILA
biopolímeros; coacervação; vitamina A
Micropartículas são estruturas formadas para a proteção de ingredientes ativos podendo ser produzidos a partir de diversos tipos de polímeros, sendo estes sintéticos ou naturais. A mucilagem extraída de semente de mutamba (Guazuma ulmifolia Lam.) é um polímero natural, abundante, de baixo custo de produção e possui característica aniônica com capacidade de interagir eletrostaticamente e formar micropartículas com potencial de proteger ingredientes ativos. O objetivo do presente trabalho foi sintetizar e caracterizar micropartículas com diferentes concentrações de mucilagem de semente de mutamba (MM) associada a quitosana (CHI) para proteção de acetato de retinila. Inicialmente foram produzidas emulsões contendo 0,25, 0,50, 0,75, 1,0% (m/m) de MM na fase aquosa e acetato de retinila (VA) e óleo de milho na fase oleosa. Em seguida, estas emulsões foram associadas eletrostaticamente a CHI, formando micropartículas por coacervação complexa. O comportamento reológico, potencial zeta, índice de estabilidade emulsificante, turbidez, microscopia óptica e diâmetro das gotículas de óleo das emulsões foram determinados. As micropartículas foram caracterizadas quanto à análise morfologia, espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier (FTIR), calorimetria exploratória diferencial (DSC) e termogravimetria (TGA), diâmetro e distribuição de tamanho, eficiência de encapsulamento, capacidade de carregamento e digestão in vitro. Os resultados mostraram que o aumento da concentração de MM resultou em emulsões mais viscosas, com comportamento pseudoplástico, maior turbidez e maior estabilidade. Os valores de potencial zeta variaram de -46,66±2,08 a -39,84±1,56 e confirmaram a estabilidade eletrostática das emulsões e sua aptidão para a coacervação. Não foi observada correlação entre o tamanho das gotículas das emulsões e o tamanho final das partículas, devido às alterações promovidas pela atomização. As emulsões apresentaram distribuição de tamanho polidispersa, sendo as fibras solúveis da mucilagem importantes para a formação das gotículas. O rendimento de coacervação e de secagem aumentou com a concentração de mucilagem, em razão da maior disponibilidade de polímero para interação. Todos os tratamentos apresentaram elevada eficiência de encapsulação, com melhor resultado para partícula com 1,00 % de MM (97,78 ±0,35 %), e capacidade de carregamento de 10,28 ±0,04 %. A digestão in vitro foi melhor para o tratamento com 1,00 % de MM que liberou 23,04±0,33 (digestão gástrica) e 72,94±0,70 (digestão intestinal). A análise de FTIR confirmou interações eletrostáticas entre grupos carboxílicos da MM e grupos amino da CHI, além da formação de ligações de hidrogênio e da encapsulação da vitamina A. As micrografias revelaram aglomerados e rachaduras superficiais, exceto no tratamento contendo 1,00% de MM. As análises térmicas indicaram maior estabilidade para os tratamentos com 0,75% e 1,00% de mucilagem. De modo geral, a mucilagem de semente de mutamba demonstrou elevado potencial para aplicação em sistemas de encapsulamento sustentáveis. A associação com quitosana permitiu a obtenção de micropartículas estáveis e eficientes para a proteção da vitamina A.