CONGELAMENTO DE SÊMEN DE TILÁPIA-DO-NILO (Oreochromis niloticus) E ARMAZENAMENTO EM ULTRACONGELADOR (-80º C)
Criopreservação, protocolo de congelamento, reprodução, conservação, qualidade espermática
A tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) é um peixe tropical de água doce, originário da
África, e uma das mais importantes espécies cultivadas como recurso alimentar no mundo. A
reprodução e melhoramento genético são áreas imprescindíveis para o aumento da
produtividade da tilapicultura. Nesse contexto, a fertilização artificial, bem como a coleta e
criopreservação de sêmen e ovócitos de reprodutores de tilápia podem ser aplicados para fins
de manipulação genética e transporte de materiais genéticos, assumindo papel relevante para a
aquicultura e para a conservação de seus recursos genéticos. Embora a criopreservação de
espermatozoides esteja bem desenvolvida, diferentes métodos podem ser usados para
armazenar ou congelar sêmen de peixe, principalmente com a intenção de reduzir o uso de
nitrogênio líquido. Assim, para esse fim, a ideia de utilizar os ultracongeladores pode, entre
outras vantagens, aumentar a capacidade de armazenar e facilitar a manutenção do sêmen em
comparação aos recipientes de nitrogênio líquido. O objetivo deste estudo é desenvolver um
protocolo alternativo para congelar e armazenar sêmen de tilápia-do-nilo em ultracongelador.
Foram selecionados 24 tilápias macho maduros para proceder a extrusão de sêmen. Foi
preparado pools de cada 3 machos, resultando em 8 pools de sêmens que foram previamente
liduídos em solução contendo glicose 350 mM, Tris 30 mM e dimetilacetamida (DMA) a
10%, na proporção de 1:3 (sêmen: diluente). O pool de sêmen diluído foi equilibrado a 4 °C
por 10 minutos e colocado em palhetas de 0,5 ml e selados com álcool polivinílico. Para cada
pool diluído foram envasadas 4 paletas, totalizando 32 amostras, que foram alocadas em
vapor de nitrogênio líquido (-140 °C) por 10 minutos. Depois disso, metade das palhetas
(n=16) congeladas foram mantidas no nitrogênio líquido (-196 °C), e a outra metade (n=16)
foi mantida em ultracongelador (-80 ºC). Após 30 dias de armazenamento, as palhetas
contendo o sêmen foram descongeladas em banho-maria, a 30 ºC por 30 segundos. Foram
realizadas as seguintes análises: taxa e duração da motilidade espermática, vigor, integridade
de membrana plasmática e morfologia espermática e estresse oxidativo. Observou-se que
ambos os processos de congelamento do sêmen afetaram a qualidade do sêmen após
descongelamento. Porém, amostras de sêmen criopreservadas em nitrogênio líquido
apresentaram valores superiores para vigor, taxa e duração da motilidade espermática e
integridade de membrana em relação ao sêmen armazenado em ultrafreezer (P > 0,05). Não
foi observada nenhuma diferença nas alterações morfológicas avaliadas nos espermatozoides
congelados no nitrogênio líquido e no ultrafreezer. Contudo, a porcentagem de
espermatozoides normais foi maior (P > 0,05) no sêmen criopreservado em nitrogênio líquido.
As alterações mais frequentes foram cabeça isolada e cauda levemente dobrada, que
apresentaram porcentagem acima de 20%. Não foram verificadas diferenças significativas (P
> 0,05) para os parâmetros de estresse oxidativo: peroxidação lipídica (PL), superóxido
dismutase (SOD) e catalase para os tratamentos empregados no armazenamento de sêmen de
tilápia. Foi possível identificar viabilidade seminal no sêmen armazenado em ultrafreeezer por
um período de um mês.