SENSITIZATION PROFILE OF OCCUPATIONAL ALLERGIC DISEASES AND QUALITY OF LIFE IN VETERINARY MEDICINE STUDENTS
sensibilização alérgica; pelo de animal; asma; rinite; estudantes de medicina veterinária e zootecnia; tolerância imunológica; modelo de transição longitudinal
Os veterinários estão entre os grupos ocupacionais mais afetados por doenças respiratórias alérgicas devido à exposição precoce e prolongada a alérgenos de origem animal durante a formação e o exercício profissional. No entanto, os dados epidemiológicos sobre perfis de sensibilização, fatores de risco e fatores de proteção entre estudantes de medicina veterinária ainda são limitados, especialmente em caráter longitudinal. Dessa forma, o presente estudo aborda a sensibilização alérgica a pelos de cães e gatos em estudantes universitários, com ênfase na exposição ocupacional precoce durante a formação em Medicina Veterinária e Zootecnia em comparação a estudantes de cursos sem contato com alérgenos animais de origem ocupacional. A investigação foi estruturada em dois capítulos complementares, correspondentes a um estudo transversal inicial e a um estudo longitudinal subsequente. O Capítulo 1 apresenta um estudo transversal intitulado “Perfil de Sensibilização, Fatores de Risco e Fatores Protetores para Rinite Alérgica e Asma entre Estudantes de Medicina Veterinária: Um Estudo Transversal”. Ao todo foram avaliados 131 estudantes de graduação, sendo 66,4% do grupo exposto (Medicina Veterinária) e 33,6% do grupo controle (Medicina e Engenharia). A sensibilização foi mensurada por meio de teste cutâneo de puntura (skin prick test) para alérgenos de cão e gato, associada à aplicação de instrumentos validados para controle de asma (ACT: Asthma Control Test), rinite (RCAT: Rhinitis Control Assessment Test) e qualidade de vida (WHOQOL-BREF: World Health Organization Quality of Life), além de um questionário estruturado construído para avaliação de fatores de risco e fatores protetores para doenças alérgicas respiratórias, contemplando exposições precoces, exposições ambientais e antecedentes familiares de atopia. Os resultados demonstraram maior relevância da sensibilização a alérgenos felinos em comparação aos caninos. História de alergia na infância foi identificada como preditor independente de sensibilização a gato (OR = 0,217 para ausência de alergia prévia; p < 0,001), enquanto a posse prévia de animais domésticos exerceu efeito protetor significativo (OR = 0,043 para eritema induzido por gato; p = 0,011). Não foram identificados preditores independentes consistentes para sensibilização a cão ou para asma. Os achados indicaram que fatores individuais e exposições precoces desempenham papel mais determinante do que a exposição ocupacional isolada. O Capítulo 2 corresponde ao estudo longitudinal intitulado “Evolução Longitudinal da Sensibilização a Alérgenos de Cães e Gatos e dos Sintomas Respiratórios em Estudantes de Medicina Veterinária: Uma Análise sob a Perspectiva da Exposição Ocupacional.” Nesta etapa, 83 participantes da amostra do primeiro estudo foram acompanhados ao longo de um ano, incluindo 52 estudantes expostos (Medicina Veterinária/Zootecnia) e 31 controles. Foram realizados testes cutâneos em dois momentos e aplicados modelos logísticos de transição para estimar mudanças no estado de sensibilização. Observou-se forte persistência da sensibilização uma vez estabelecida (OR ≈ 30 para manutenção da positividade). Contudo, estudantes expostos apresentaram menor probabilidade de sensibilização no seguimento quando comparados ao grupo controle (OR = 0,275 para edema felino; OR = 0,181 para eritema canino). A probabilidade estimada de teste positivo para gato no seguimento foi de 69,1% no grupo controle versus 38,1% no grupo exposto. Não houve piora significativa no controle clínico de asma ou rinite ao longo do período. Esses resultados sugerem que a exposição ocupacional contínua pode estar associada a mecanismos de modulação imunológica compatíveis com tolerância, em vez de aumento progressivo de risco. Em conjunto, os dois estudos demonstram que a sensibilização a alérgenos animais em estudantes universitários é um fenômeno multifatorial, fortemente influenciado por predisposição individual e exposições precoces, com tendência à persistência quando estabelecida. A exposição ocupacional sustentada durante a formação acadêmica não se associou a aumento de risco e, em determinadas circunstâncias, relacionou-se a padrões compatíveis com tolerância imunológica. Este estudo contribui para a compreensão dos mecanismos dinâmicos da sensibilização alérgica em contextos ocupacionais e reforça a importância de abordagens longitudinais para a avaliação de risco e adaptação imunológica em populações expostas precocemente a alérgenos animais.