Ecologia da maturação do queijo artesanal produzido na microrregiãodo Campo das Vertentes e sua influência na viabilidade de Staphylococcus aureus
segurança microbiológica; Bactérias láticas; toxinfecções alimentares; estafilotoxinas
O queijo Minas artesanal é muito conhecido e altamente valorizado, não apenas em Minas Gerais, mas também em outros estados brasileiros. Esforços têm sido feitos para estabelecer um tempo menor de maturação na legislação. Embora existam anos de pesquisas envolvendo seu processo de fabricação, estudos sobre a viabilidade de microrganismos patogênicos e a dinâmica microbiana da maturação ainda deve ser estudado, definindo o melhor tempo de maturação desses queijos visando à inocuidade e qualidade sensorial, muito apreciada, do produto ao consumidor. Desta forma, o objetivo desse projeto foi avaliar o tempo de viabilidade de Staphylococcus aureus no queijo bem como estudar a dinâmica do processo fermentativo envolvendo as bactérias láticas (BAL) . Queijos, logo após a salga, foram coletados em duas queijarias loalizadas na microrregião do Campo das Vertentes (municípios de São João Del Rei e Coronel Xavier Chaves). Os queijos foram trasnportados para o laboratório de Microbiologia de Alimentos do Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras. Foram coletadas 10 unidades em cada propriedade, dessas, 5 compuseram o grupo controle e 5 foram inoculados com S. aureus produtor de enterotoxina tipo A (cerca de 105 UFC/g). Todos os queijos foram maturados por 21 dias, para tanto foram acondicionados em prateleiras de madeira alocadas em sala de maturação. Foram avaliados quatro tempos de maturação (0, 7, 14 e 21 dias). Realizaram-se as análises microbiológicas dependente de cultivo, análises físico-químicas e o metaboloma em todos os queijos. Já a presença de enterotoxinas e o estudo da metataxonômica foi realizado nos queijos do grupo controle a partir do sequenciamento da porção V3-V4 do rRNA 16S. As análises físico-químicas mostraram redução significativa na umidade dos queijos de ambas as queijarias estudadas. Os queijos de São João del Rei tenderam a apresentar umidade inicial mais alta, em torno de 48%, em comparação com os queijos de Coronel Xavier Chaves 42,8%. O pH aumentou gradualmente (6,08 a 6,45) da queijaria de Coronel Xavier Chaves e o pH inicial do grupo Controle (6,67) foi significativamente maior do que o do inoculado. Observou-se que o tempo apresenta efeito significativo na contagem de S. aureus, que diminui ao longo do período de maturação, bem como, os valores médios das contagens de BAL que apresentaram queda significativa ao longo do tempo de maturação para os queijos de ambas as queijarias tanto nos controles quanto nos inoculados. Houve predominância do gênero Lactococcus, que representa aproximadamente 95% das sequências atribuídas ao perfil metataxônomico para os queijos das duas queijarias. A PCoA (Bray-Curtis) indicou separação clara entre as comunidades bacterianas dos queijos. Os resultados de ausência de Salmonella spp, Escherichia coli e Listeria monocytogenes encontrados na avaliação da qualidade microbiológica durante todo o período de maturação atestaram a qualidade higiênica das queijarias da microrregião do Campo das Vertentes.