Bioprospecção de bactérias promotoras de crescimento do Semiárido Mineiro com potencial de resistência ao estresse térmico e hídrico na cultura do café.
Bactérias Promotoras de Crescimento Vegetal; Estresse abiótico; Cafeicultura; Resiliência
A presente tese de doutorado investigou a bioprospecção de bactérias promotoras de crescimento vegetal (BPCV) : Algodão de seda e Japecanga, adaptadas às condições quentes e secas do Município de Coronel Murta, região do Semiárido, com o objetivo de identificar isolados com potencial para mitigar os efeitos do estresse hídrico na cultura do café (Coffea arabica). A pesquisa foi motivada pelo contexto de mudanças climáticas que intensificam estiagens e altas temperaturas em Minas Gerais, principal região produtora de café arábica no Brasil, onde eventos recentes de seca já comprometeram significativamente a produtividade agrícola. Foram isolados 51 morfotipos bacterianos de rizosfera, raízes e rizomas, caracterizados quanto à produção de exopolissacarídeos (EPS), atividade da enzima ACC desaminase (ACCd), resistência ao estresse osmótico induzido por sorbitol e produção de prolina como osmoprotetor. A identificação por MALDI-TOF apontou predominância do gênero Bacillus, gênero reconhecido por mecanismos de promoção de crescimento e tolerância a estresses abióticos. Em seguida, 20 isolados pré-selecionados foram inoculados em mudas de café em condições normais (sem estresse), promovendo incrementos significativos em comprimento (até 40% superior ao controle), número de folhas, diâmetro do caule, teores de clorofilas total, A e B, carotenoides, NDVI e biomassa. Um índice ponderado multivariado priorizando biomassa e fotoproteção destacou os isolados 7 (BAC1), 18 (BAC2), e 19 (BAC3) como os mais equilibrados. Por fim, o teste de estresse hídrico induzido (irrigação a cada 1, 2, 4 e 7 dias), observou-se interação significativa entre irrigação e tratamento bacteriano na maioria das variáveis. O nível 7 (estresse severo) foi o mais limitante ao crescimento vegetativo e biomassa fresca, embora tenha induzido aumento nos teores de clorofila total e A, possivelmente como resposta adaptativa. A atividade de peroxidação lipídica apresentou interação significativa, com pico em estresse moderado no nível 7 unidades), sem diferenças estatísticas entre tratamentos, mas com tendência numérica favorável ao BAC1 (menor atividade, sugerindo menor dano oxidativo). Como parte da avaliação do estresse oxidativo, foram determinadas as atividades das enzimas antioxidantes superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT) e ascorbato peroxidase (APX), além do conteúdo de peróxido de hidrogênio (H₂O₂). Embora os dados quantitativos completos dessas variáveis ainda estejam em fase final de análise estatística, as medições preliminares indicam ativação diferencial do sistema antioxidante enzimático em resposta ao déficit hídrico, com tendência de maior atividade em condições de estresse moderado a severo. Esses resultados complementam as observações, reforçando a ocorrência de estresse oxidativo crescente com a redução da disponibilidade hídrica e sugerindo que os inoculantes, especialmente BAC1 e BAC2, podem ter conferido algum grau de proteção oxidativa, ainda que limitada em estresse extremo. Assim, os isolados selecionados demonstram potencial como bioinsumos sustentáveis para aumentar a resiliência do cafeeiro frente à escassez hídrica e mudanças climáticas na região Sul de Minas Gerais.