ELABORAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE EMULSÕES PICKERING COM ÓLEO DE PEQUI ESTABILIZADAS POR PROTEÍNA DE ERVILHA E CARBOXIMETILCELULOSE
Emulsão de Pickering, proteína de ervilha, carboximetilcelulose
As emulsões Pickering são alternativas as emulsões convencionais estabilizados por surfactantes artificiais, especialmente diante da crescente demanda da indústria alimentícia por ingredientes naturais e rótulos limpos. O óleo de pequi (Caryocar brasiliense), abundante no cerrado brasileiro, é rico em compostos bioativos como carotenoides, compostos fenólicos, que conferem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias e ácidos graxos insaturados. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo elaborar e caracterizar emulsões Pickering do tipo óleo em água (O/A) para encapsulação de óleo de pequi (Caryocar brasiliense), visando à proteção de seus compostos bioativos. Foram utilizados como estabilizantes a proteína isolada de ervilha (PE) e o complexo proteína de ervilha–carboximetilcelulose (PE–CMC). O estudo foi conduzido em duas etapas: inicialmente, as emulsões foram otimizadas por um Delineamento Composto Central Rotacional (DCCR 2²), considerando a concentração de PE e de CMC como variáveis independentes, e estabilidade centrífuga, índice de atividade e estabilidade emulsificante, ângulo de contato e qualidade de homogeneização como respostas, e posteriormente, um Delineamento Inteiramente Casualizado (DIC) fatorial 5 × 2 avaliando o efeito do pH (3, 4, 5, 6 e 7) e do tipo de estabilizante (PE e PE-CMC) sobre o comportamento do sistema. As concentrações ótimas obtidas foram 3,41% de PE e 3,41% PE + 0,5% de CMC. Os resultados evidenciaram que o pH exerceu influência significativa sobre a estabilidade das emulsões. As emulsões PE apresentaram elevada instabilidade física, com floculação acentuada e separação de fases, especialmente nos pHs 4, 5 e 6, devido à baixa solubilidade da proteína nessas condições. As emulsões PE–CMC apresentaram maior estabilidade, com manutenção da integridade do sistema ao longo da faixa de pH avaliada, embora tenha sido observada separação de fases nos pHs 4 e 3, atribuída à formação de complexos insolúveis. Esse comportamento de maior estabilidade foi associado à combinação de mecanismos de estabilização eletrostática e estérica promovidos pela CMC, resultando em uma barreira interfacial mais robusta. As emulsões PE–CMC demonstraram maior eficiência na retenção dos compostos bioativos do óleo de pequi. Conclui-se que os sistemas estabilizados com PE e PE–CMC constituem estratégias eficazes para melhorar a estabilidade e a funcionalidade de emulsões Pickering com óleo de pequi com efeito dependente do pH, promovendo a proteção de compostos bioativos frente a estresses ambientais e de processamento.